Objeto de Atração
Segundo o dicionário brasileiro Luft, atração é a ação ou efeito de atrair. Por sua vez, atrair significa ser atraente, empolgante, sedutor, fascinante. A atração tem relação com os interesses e as necessidades individuais das pessoas, e estas se relacionam primeiramente com a etapa de vida que cada um está a vivenciar.
Nesta perspectiva, embora tanto crianças como adultos (pessoas) manifestam interesse por HQs, as motivações diferem. A criança tende a explorar o mundo que tem à sua frente, já o adulto, geralmente, busca uma diversão, um passatempo, ou seja: um hobbie ou uma inspiração educativa.
No caso infantil, dependendo de que fase do desenvolvimento a criança se encontra, ela se identificará melhor com determinadas atividades, terá maior ou menor interesse em objetos concretos, em HQs.
Crianças pequeninas exploram os objetos com os quais interagem: pegam, apertam, levam a boca, etc. No caso de entrarem em contato com revistas, gibis tendem a pegar, amassar, rasgar, morder. A medida em que vão crescendo e após sentir-se satisfeitas com toda a exploração realizada é que irão despertando seu interesse pelo conteúdo do objeto: começam a repetir o que vêem o adulto fazer e exercitam o abrir e o fechar de um lado e de outro, manuseando, a prendendo a folhear, apontando para as imagens e emitindo sons onomatopéicos, silábicos e mais tarde palavras, frases...
Em tenra idade, as histórias em quadrinhos tendem a atrair mais pelo material com que são confeccionadas, pelas imagens e pelo apelo sensorial. Afinal, elas são compostas por diferentes cores, tamanhos, forma, textura. Quanto aos personagens, são os animaizinhos que tendem a fazer mais sucesso com as crianças menores.
Enfim, tudo que remete ao mundinho infantil e aos elementos que o tornam significativo, como: a exploração do desconhecido, às descobertas que lhe saciam a curiosidade e desenvolvem imaginação tende a interessá-las e fazer o maior sucesso.
Assim, à medida que vão crescendo também vão delineando as preferências por determinados personagens procurando ou não reproduzi-los, inclusive, pode ocorrer de sonharem ou de escolherem algum para ser seu “amigo imaginário”, com o qual passam a ter longas conversas cotidianamente.
A iniciação ao mundo letrado, não raro começa através as HQs, pois é um material de aquisição mais acessível que os livros de histórias e geralmente toda família tem alguns exemplares. Isto se torna realmente interessante se acompanhado pelo elemento primordial e desencadeador da aprendizagem significativa: os vínculos afetivos, neste caso, a narração com afeto: avô, avó, pai, mãe ou cuidadora contando a história e mostrando os quadrinhos, apontando para ou representando os diferentes personagens, repetindo muitas e muitas vezes a mesma HQ.
De modo geral, criança gosta de tudo que envolva o mistério, a fantasia, a imaginação, a criação, o movimento, animais (falantes então!), a natureza, enfim episódios que reproduzam comportamentos, fatos ou espaços do cotidiano familiar e/ou vivenciado.
Isto ocorre por que a criança em desenvolvimento está experimentando e conhecendo o mundo, descobrindo como funciona enquanto descobre se desenvolve e aprende sobre si.
À medida que vai crescendo, seus pensamentos e ações vão ficando mais elaborados e passa a exigir maiores desafios, seu vocabulário se amplia, as relações de tempo e espaço vão sendo constituídas, bem como a progressiva autonomia. No caso das histórias em quadrinhos, seu interesse vai sendo dividido entre imagens (personagens e cenário) e o texto. Inicialmente começa a observar ou a reproduzir as letras ou palavras, a memorizar e repetir as falas dos distintos personagens, identificando o lugar exato onde se insere cada fala. Depois, mais ou menos em idade da alfabetização sistematizada passa a se ater no enredo proposto, tem condições de justificar sua predileção por este ou aquele gibi, por este ou aquele personagem, inclusive passa a investir nas próprias historietas com seus heróis prediletos ou criando personagens próprios. Quando incentivada, o desenho, o vocabulário e a curiosidade por assuntos variados ganham impulso, tudo em conseqüência do enredo que pretende construir. O trabalho com pesquisa torna-se fundamental.
Cabe ao adulto incentivar-lhe e ir proporcionando momentos de diálogo, de questionamentos, às orientações e estímulos que contribuam com o desenvolvimento saudável ao mesmo tempo em que forem sendo construídos alicerces à autoconfiança e à autodeterminação pessoal.
Hobbie (hobby)
Atividade de entretenimento livre que indivíduos desenvolvem sozinhos ou coletivamente. Um passatempo que pode manifestar-se de várias formas: desde uma atividade prática voltada à culinária ou à pintura, até uma atividade mais intelectual como: escrever, ler, filosofar, colecionar HQ.
Hobbie é diferente de jogo, pois este envolve objetivos e regras pré-determinadas.
Histórias em Quadrinhos e os Colecionadores:
Reunir e juntar objetos fazem parte da trajetória humana. Os colecionadores reúnem vários objetos como discos de vinil, selos, moedas, gibis, etc. O ato de colecionar pode ser considerado um hobby ou saudosismo, mas pode reverter benefícios à sociedade, através das doações das coleções aos museus, através de divulagação do material como contribuição cultural.
Objetos colecionados representam uma determinada época, sua história, sua cultura, pois quem coleciona, independendte do motivo, preserva objetos que identificam usos, costumes e/ou modismos, retratando o modo de vida relativo àquela sociedade, conseqüentemente fornece pistas para enterdermos ideologias dominates, bem como movimentos contrários. Ajudam a conservar esses objetos e sua trajetória. Enfim, objetos colecionados são reveladores.
Neste contexto, as HQs despontam com riquezas de detalhes aproximando constatações vividas de utopias sonhadas. Retratam, como pano de fundo, modos de pensar e agir na vida em espaços e tempos variados, com riqueza de detalhes, lançando mão da união da linguagem escrita e visual (imagens) que conjuntamente comunicam através de com tons sarcásticos, cômicos, romântico, de ficção, de terror ou aventureiro, conforme a opção e a personalidade do escritor, bem como considerando o público (pessoas**) a quem se destina.
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